sábado, 27 de fevereiro de 2016

FÁBULAS

ESOPO

Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:

- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.

- Como? – perguntou o amo, surpreso – Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?

- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.

Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para se explicar.

- Meu amo, não vos enganei – retrucou Esopo -A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?

-Boa, meu caro – retrucou o amo – Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?

- É perfeitamente possível, senhor. E com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda Terra.

Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o escravo e obteve dele surpreendente resposta:

- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? – indagou Esopo.

Impressionado com a inteligência invulgar do serviçal, o senhor calou-se, comovido, e, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.

Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas histórias até hoje se espalham por todo o mundo.
(Autor desconhecido)


RESPONDA DE ACORDO COM O TEXTO:

1) Essa narrativa tem como protagonistas:
a-( ) o amo e o patrão
b-( ) o chefe militar e o escravo
c-( ) o companheiro e o patrão
d-( ) o servo e o escravo

2) A passagem “indagou Esopo” pode ser escrita, mantendo-se o mesmo sentido, como:
a-( ) respondeu Esopo;
b-( ) percebeu Esopo;
c-( ) perguntou Esopo;
d-( ) assegurou Esopo;

3) Segundo o texto, a língua tanto serve para as virtudes quanto para os vícios do mundo. Como exemplo de virtude e vício, respectivamente, podem-se citar:
a-( ) ensinamentos filosóficos e conceitos religiosos;
b-( ) discussões infrutíferas e obras literárias;
c-( ) rede de intrigas e desentendimentos;
d-( ) ensinamento das verdades santas e criação de anedotas vulgares;


4) Em “impressionado com a inteligência invulgar do serviçal...”, o adjetivo destacado significa:
a-( ) rara
b-( ) medíocre
c-( ) impopular
d-( ) respeitosa

5) Em “Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?”, a oração destacada tem o sentido de:
a-( ) finalidade
b-( ) condição
c-( ) causa
d-( ) consequência

6) De acordo com o texto, quando a língua é mal utilizada, intrigas e violências verbais podem ser:
a-( ) confrontadas
b-( ) armadas
c-( ) superadas
d-( ) rejeitadas

7) Em “por ela mesma ensinadas...”, a palavra destacada está no feminino plural em concordância com:
a-( ) “violências”
b-( ) “anedotas”
c-( ) “verdades”
d-( ) “discussões”

8) Em “Ao abri-lo”, o pronome foi usado para substituir a seguinte palavra:
a-( ) pacote
b-( ) amo
c-( ) primeiro
d-( ) Esopo

9) O sentido de negação, em determinadas palavras, é dado por prefixos, como em:
a-( ) “impressionado” e “intrigas”
b-( ) “infrutíferas” e “desentendimentos”
c-( ) “desapontado” e “inteligência”
d-( ) “interrogou” e “ensinadas”

10) Nessa história, a libertação do escravo se deve ao fato de Esopo:
a-( ) fazer boas compras
b-( ) ser educado
c-( ) falar muito bem

d-() ter grande sabedoria

GABARITO

1-b ; 2-c ; 3-d; 4-a ; 5-c ; 6-b ; 7-c ; 8-a ; 9-b ; 10-d

quinta-feira, 8 de outubro de 2015



FÁBULA:


A ESCOLA DOS ANIMAIS






       Certa vez os animais resolveram preparar seus filhos para enfrentar as dificuldades do mundo atual e, pora isso, organizaram uma escola.
       Adotaram um currículo prático que constava de: corrida, escalagem, natação e voo. Para facilitar o ensino, todos os alunos deveriam aprender todas as matérias.
       O pato, exímio em natação (melhor mesmo que o professor) conseguiu notas regulares em voo, mas era aluno fraco em corridas e escalagem. Para compensar esta fraqueza, ficava retido todo dia, fazendo exercícios extras. De tanto treinar corrida ficou com os pés terrivelmente esfolados e, por isso, não conseguia mais nadar como antes. Entretanto, como o sistema de promoção era a média aritmética das notas nos vários cursos, ele conseguiu ser um aluno sofrível, e ninguém se preocupou com o caso do pobre taro.
       O coelho era o melhor aluno do curso de corrida, mas sofreu tremendamente e acabou com um esgotamento nervoso, de tanto tentar natação.
       O esquilo subia tremendamente, conseguindo belas notas no curso de escalagem, mas ficou frustrado no voo, pois o professor o obrigava a voar de baixo para cima e ele insistia em usar os seus métodos, isto é, em subir nas árvores e voar de lá para o chão. Ele teve que se esforçar tanto em natação que acabou por passar com nota mínima em escalagem, saindo-se mediocremente em corrida.
       A águia foi uma criança problema, severamente castigada desde o princípio do curso, porque usava métodos exclusivos dela para atravessar o rio ou subir nas árvores. No fim do ano, uma águia anormal que tinha nadadeiras conseguiu a melhor média em todos os cursos e foi a oradora da turma.

       Os ratos, cães de caça não entraram na escola porque a administração se recusou a incluir duas matérias que eles julgavam importantes, como escavar tocas e escolher esconderijos. Acabaram por abrir uma escola particular junto com as marmotas e, desde o princípio, conseguiram grande sucesso.

QUE MORAL TERÁ ESTA FÁBULA?

AUTORIA NÃO IDENTIFICADA

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A Lenda do Primeiro Gaúcho

A LENDA DO PRIMEIRO GAÚCHO


Gaúcho é o nome que dão aos naturais do Estado do Rio Grande do Sul. Mas houve um tempo que por aquelas bandas só havia índios. E como a terra era linda, o clima agradável, o céu azul demais, os crepúsculos espetaculares, os brancos resolveram se instalar por ali. Havia uma tribo especialmente guerreira e ciosa das suas possessões. Eram os Minuanos, ágeis como o vento, garbosos e atentos na guerra e no amor. Pois os Minuanos enfrentaram os brancos com uma fúria notável.
Num dos combates os índios Minuanos fizeram um prisioneiro. Reuniram-se os chefes e decidiram condená-lo à morte, como advertência aos outros invasores. Prepararam então uma linda festa. O vinho de cauim, as cores de enfeite, as novas armas, as danças guerreiras, tudo foi antecipadamente ensaiado para o grande dia da vingança. O prisioneiro ficou numa cela de taquara, dia e noite vigiado por uma jovem índia da tribo. Não se falavam, mas os sorrisos e os olhares logo construíram uma linguagem mais forte e profunda, a do amor. E a carcereira, cada dia que passava, ficava mais triste ouvindo as reuniões dos chefes, determinando a maneira como deveria morrer o intruso. Como não havia nada que fazer, o jovem pediu à índia, por gestos de mímica, taquaras, corda feita de tripa de capivara, restos de madeira e cola silvestre. Em silêncio, a barba crescida, os olhos incendiados de simpatia pela jovem índia, que o espreitava com a doçura de uma criança, assim o prisioneiro foi construindo uma viola. Mas nunca tocou. Estava triste de pensar que iria morrer.
Chegou enfim o grande dia. Os assados e a beberagem correram desde cedo, os homens estavam mais alegres e se exercitavam com as lanças, disparavam em fogosos cavalos cobertos de pele de onça e plumagem de papagaio. As mulheres desenhavam nos corpos curiosas formas em verde e vermelho e gritavam muito enquanto atapetavam de flores o chão batido da taba. Desde cedo o prisioneiro ficou amarrado a um tronco no centro da praça. Só a índia estava triste; de longe, oculta atrás de uma bananeira, olhava com profunda mágoa todo aquele movimento.
Alta noite, o cacique acompanhado do feiticeiro se aproximou do prisioneiro. Houve um silêncio sepulcral, os olhos todos brilhavam. Era a morte que descia com seu sorriso dourado. Então o cacique falou:
– Homem branco, tua hora é chegada!
E o feiticeiro acrescentou:
– Nossos deuses querem o teu sangue, porque és nosso inimigo.
O jovem não dizia nada. Houve um momento de silêncio. Dez jovens guerreiros ergueram suas lanças em direção ao peito do prisioneiro. O cacique disse ainda:
– Antes de matar-te queremos que satisfaças teu último desejo. O que gostarias de fazer agora.
O jovem não disse nada, olhou comovidamente a jovem índia que lhe servira de vigia durante aquelas semanas de espera. Olhou e ela, como se entendesse se aproximou dele. Trazia nas mãos a viola que ele havia construído na prisão. O Jovem branco sorriu. A índia veio de mãos estendidas com o instrumento intacto. Desamarrou o prisioneiro – havia em torno um sussurro patético. Com a viola, o moço branco dedilhou a mais suave canção, sua voz se elevou com uma tristeza que fez tremer os mais empedernidos guerreiros. Cantou, cantou como um pássaro no último dia do mundo. Havia amor, vibração e nostalgia em seu canto. A índia, perto dele, chorava ajoelhada. Começou então um murmúrio vindo de todos os lados, logo crescendo, a voz ficou nítida, diziam:
– Gaúcho... gaúcho.. – que queria dizer: gente que canta triste. E todos se sentaram e ficaram ouvindo, esquecendo do ódio, da vingança e do sacrifício. A alta lua encontrou o jovem branco dedilhando a viola, calaram os pássaros ouvindo sua voz. E ele foi perdoado. Ficou com os Minuanos e casou-se com a índia. Tiveram muitos filhos e assim começou a raça gaúcha. Por isso, nas largas noites ao pé do fogo com o chimarrão e a viola, ao ouvir-se a voz do homem do sul cantando de amor e de saudade, ouve-se também um murmúrio longínquo, os garbosos fantasmas da tribo Minuano, passando entre nuvens e chamando dolosamente: “gaúcho... gaúcho....”.

 Walmir Ayala. Moça Lua e outras lendas. Rio de Janeiro.


Interpretação:
1- Gaúcho é o nome que dão aos naturais do:
(A) Estado do Paraná.
(B) Estado do Amapá.
(C) Estado do Rio Grande do Sul.
(D) Estado do Rio Grande do Norte.

2- Os primeiros habitantes do Rio Grande do Sul foram:
(A) Os gaúchos.
(B) Os índios.
(C) Os prisioneiros.
(D) Os carcereiros.

3- Conforme o texto, a palavra “gaúcho” tem o significado de:
(A) Gente que canta triste.
(B) Passando entre as nuvens.
(C) Largas noites.
(D) Jovem branco.

4- No contexto da narrativa, a palavra sublinhada em “... atapetavam de flores o chão batido da taba”, tem o significado de:
(A) Cobriam.
(B) Brilhavam.
(C) Acompanhavam.
(D) Amarravam.

5- Os minuanos, ágeis como o vento, garboso e atentos na guerra e no amor demonstram que eles são:
(A) Agradáveis.
(B) Tristes.
(C) Corajosos.
(D) Invasores.

6- No texto o Estado do Rio Grande do Sul é conhecido como:
(A) Uma linda festa
(B) Uma linda festa, o clima agradável, o céu azul demais, os crepúsculos espetaculares.
(C) Largas noites ao pé do fogo com chimarrão e a viola.
(D) Uma tribo minuano.

7- O texto trata de uma lenda de como surgiu:
(A) A primeira tribo.
(B) O primeiro minuano.
(C) O primeiro índio.
(D) O primeiro gaúcho.

8- O autor(a) do texto é:
(A) O gaúcho.
(B) O jovem branco.
(C) Walmir Ayala.
(D) Minuano.

9- A finalidade do texto é:
(A) Conscientizar a população.
(B) Dar instruções sobre conduta.
(C) Documentar um fato ocorrido.
(D) Informar algo sobre a cultura gaúcha.

10- No trecho “Ele foi perdoado”, a palavra sublinhada refere-se ao:
(A) Carcereiro.
(B) Índio.
(C) Jovem branco.
(D) Minuano.
11- Quem conta a história é:
(A) O narrador.
(B) O gaúcho.
(C) O chefe.
(D) O índio

Produção de texto:

Faça a reescrita da “A lenda do primeiro gaúcho, com suas palavras e ilustre”.