Memórias de Leidi
sábado, 11 de fevereiro de 2017
sábado, 27 de fevereiro de 2016
FÁBULAS
ESOPO
Esopo era um escravo de rara
inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e
as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao
que respondeu seguramente:
- Tenho a mais absoluta certeza de que
a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? – perguntou o amo, surpreso –
Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo
permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu
Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir
o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu
ao escravo uma chance para se explicar.
- Meu amo, não vos enganei – retrucou
Esopo -A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar,
ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são
divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se
tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
-Boa, meu caro – retrucou o amo – Já
que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?
- É perfeitamente possível, senhor. E
com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o
pior vício de toda Terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu
novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao
abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o
escravo e obteve dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha
escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime
virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios.
Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as
verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e
apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua,
estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as
confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o
que digo? – indagou Esopo.
Impressionado com a inteligência invulgar
do serviçal, o senhor calou-se, comovido, e, no mesmo instante, reconhecendo o
disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se,
mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas
histórias até hoje se espalham por todo o mundo.
(Autor desconhecido)
RESPONDA DE ACORDO COM O TEXTO:
1) Essa narrativa tem como
protagonistas:
a-( ) o amo e o patrão
b-( ) o chefe militar e o escravo
c-( ) o companheiro e o patrão
d-( ) o servo e o escravo
2) A passagem “indagou Esopo” pode ser
escrita, mantendo-se o mesmo sentido, como:
a-( ) respondeu Esopo;
b-( ) percebeu Esopo;
c-( ) perguntou Esopo;
d-( ) assegurou Esopo;
3) Segundo o texto, a língua tanto
serve para as virtudes quanto para os vícios do mundo. Como exemplo de virtude
e vício, respectivamente, podem-se citar:
a-( ) ensinamentos filosóficos e
conceitos religiosos;
b-( ) discussões infrutíferas e obras
literárias;
c-( ) rede de intrigas e
desentendimentos;
d-( ) ensinamento das verdades santas e
criação de anedotas vulgares;
4) Em “impressionado com a inteligência
invulgar do serviçal...”, o adjetivo destacado significa:
a-( ) rara
b-( ) medíocre
c-( ) impopular
d-( ) respeitosa
5) Em “Já que és desembaraçado, que tal
trazer-me agora o pior vício do mundo?”, a oração destacada tem o sentido de:
a-( ) finalidade
b-( ) condição
c-( ) causa
d-( ) consequência
6) De acordo com o texto, quando a
língua é mal utilizada, intrigas e violências verbais podem ser:
a-( ) confrontadas
b-( ) armadas
c-( ) superadas
d-( ) rejeitadas
7) Em “por ela mesma ensinadas...”,
a palavra destacada está no feminino plural em concordância com:
a-( ) “violências”
b-( ) “anedotas”
c-( ) “verdades”
d-( ) “discussões”
8) Em “Ao abri-lo”, o pronome foi usado
para substituir a seguinte palavra:
a-( ) pacote
b-( ) amo
c-( ) primeiro
d-( ) Esopo
9) O sentido de negação, em
determinadas palavras, é dado por prefixos, como em:
a-( ) “impressionado” e “intrigas”
b-( ) “infrutíferas” e
“desentendimentos”
c-( ) “desapontado” e “inteligência”
d-( ) “interrogou” e “ensinadas”
10) Nessa história, a libertação do
escravo se deve ao fato de Esopo:
a-( ) fazer boas compras
b-( ) ser educado
c-( ) falar muito bem
d-()
ter grande sabedoria
GABARITO
1-b ; 2-c ; 3-d; 4-a ; 5-c ; 6-b ; 7-c ; 8-a ; 9-b ; 10-d
GABARITO
1-b ; 2-c ; 3-d; 4-a ; 5-c ; 6-b ; 7-c ; 8-a ; 9-b ; 10-d
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
FÁBULA:
A ESCOLA DOS ANIMAIS
Certa vez os animais resolveram preparar seus filhos para enfrentar as
dificuldades do mundo atual e, pora isso, organizaram uma escola.
Adotaram um currículo prático que constava de: corrida, escalagem, natação e
voo. Para facilitar o ensino, todos os alunos deveriam aprender todas as
matérias.
O pato, exímio em natação (melhor mesmo que o professor) conseguiu notas
regulares em voo, mas era aluno fraco em corridas e escalagem. Para compensar
esta fraqueza, ficava retido todo dia, fazendo exercícios extras. De tanto
treinar corrida ficou com os pés terrivelmente esfolados e, por isso, não
conseguia mais nadar como antes. Entretanto, como o sistema de promoção era a
média aritmética das notas nos vários cursos, ele conseguiu ser um aluno
sofrível, e ninguém se preocupou com o caso do pobre taro.
O coelho era o melhor aluno do curso de corrida, mas sofreu tremendamente e
acabou com um esgotamento nervoso, de tanto tentar natação.
O esquilo subia tremendamente, conseguindo belas notas no curso de escalagem,
mas ficou frustrado no voo, pois o professor o obrigava a voar de baixo para
cima e ele insistia em usar os seus métodos, isto é, em subir nas árvores e
voar de lá para o chão. Ele teve que se esforçar tanto em natação que acabou
por passar com nota mínima em escalagem, saindo-se mediocremente em corrida.
A águia foi uma criança problema, severamente castigada desde o princípio do
curso, porque usava métodos exclusivos dela para atravessar o rio ou subir nas
árvores. No fim do ano, uma águia anormal que tinha nadadeiras conseguiu a
melhor média em todos os cursos e foi a oradora da turma.
Os ratos, cães de caça não entraram na escola porque a administração se recusou a incluir duas matérias que eles julgavam importantes, como escavar tocas e escolher esconderijos. Acabaram por abrir uma escola particular junto com as marmotas e, desde o princípio, conseguiram grande sucesso.
QUE MORAL
TERÁ ESTA FÁBULA?
AUTORIA
NÃO IDENTIFICADA
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
A Lenda do Primeiro Gaúcho
A LENDA DO PRIMEIRO GAÚCHO
Gaúcho
é o nome que dão aos naturais do Estado do Rio Grande do Sul. Mas houve um
tempo que por aquelas bandas só havia índios. E como a terra era linda, o clima
agradável, o céu azul demais, os crepúsculos espetaculares, os brancos
resolveram se instalar por ali. Havia uma tribo especialmente guerreira e ciosa
das suas possessões. Eram os Minuanos, ágeis como o vento, garbosos e atentos
na guerra e no amor. Pois os Minuanos enfrentaram os brancos com uma fúria
notável.
Num
dos combates os índios Minuanos fizeram um prisioneiro. Reuniram-se os chefes e
decidiram condená-lo à morte, como advertência aos outros
invasores. Prepararam então uma linda festa. O vinho de cauim, as cores de
enfeite, as novas armas, as danças guerreiras, tudo foi antecipadamente ensaiado
para o grande dia da vingança. O prisioneiro ficou numa cela de taquara, dia e
noite vigiado por uma jovem índia da tribo. Não se falavam, mas os sorrisos e
os olhares logo construíram uma linguagem mais forte e profunda, a do amor. E a
carcereira, cada dia que passava, ficava mais triste ouvindo as reuniões dos
chefes, determinando a maneira como deveria morrer o intruso. Como não havia
nada que fazer, o jovem pediu à índia, por gestos de mímica, taquaras, corda
feita de tripa de capivara, restos de madeira e cola silvestre. Em silêncio, a
barba crescida, os olhos incendiados de simpatia pela jovem índia, que o
espreitava com a doçura de uma criança, assim o prisioneiro foi construindo uma
viola. Mas nunca tocou. Estava triste de pensar que iria morrer.
Chegou
enfim o grande dia. Os assados e a beberagem correram desde cedo, os homens
estavam mais alegres e se exercitavam com as lanças, disparavam em fogosos
cavalos cobertos de pele de onça e plumagem de papagaio. As mulheres desenhavam
nos corpos curiosas formas em verde e vermelho e gritavam muito enquanto
atapetavam de flores o chão batido da taba. Desde cedo o prisioneiro ficou
amarrado a um tronco no centro da praça. Só a índia estava triste; de longe,
oculta atrás de uma bananeira, olhava com profunda mágoa todo aquele movimento.
Alta
noite, o cacique acompanhado do feiticeiro se aproximou do prisioneiro. Houve
um silêncio sepulcral, os olhos todos brilhavam. Era a morte que descia com seu
sorriso dourado. Então o cacique falou:
–
Homem branco, tua hora é chegada!
E o
feiticeiro acrescentou:
–
Nossos deuses querem o teu sangue, porque és nosso inimigo.
O
jovem não dizia nada. Houve um momento de silêncio. Dez jovens guerreiros
ergueram suas lanças em direção ao peito do prisioneiro. O cacique disse ainda:
–
Antes de matar-te queremos que satisfaças teu último desejo. O que gostarias de
fazer agora.
O
jovem não disse nada, olhou comovidamente a jovem índia que lhe servira de
vigia durante aquelas semanas de espera. Olhou e ela, como se entendesse se
aproximou dele. Trazia nas mãos a viola que ele havia construído na prisão. O
Jovem branco sorriu. A índia veio de mãos estendidas com o instrumento intacto.
Desamarrou o prisioneiro – havia em torno um sussurro patético. Com a viola, o
moço branco dedilhou a mais suave canção, sua voz se elevou com uma tristeza
que fez tremer os mais empedernidos guerreiros. Cantou, cantou como um pássaro
no último dia do mundo. Havia amor, vibração e nostalgia em seu canto. A índia,
perto dele, chorava ajoelhada. Começou então um murmúrio vindo de todos os
lados, logo crescendo, a voz ficou nítida, diziam:
–
Gaúcho... gaúcho.. – que queria dizer: gente que canta triste. E todos se
sentaram e ficaram ouvindo, esquecendo do ódio, da vingança e do sacrifício. A
alta lua encontrou o jovem branco dedilhando a viola, calaram os pássaros
ouvindo sua voz. E ele foi perdoado. Ficou com os Minuanos e casou-se com a
índia. Tiveram muitos filhos e assim começou a raça gaúcha. Por isso, nas
largas noites ao pé do fogo com o chimarrão e a viola, ao ouvir-se a voz do
homem do sul cantando de amor e de saudade, ouve-se também um murmúrio
longínquo, os garbosos fantasmas da tribo Minuano, passando entre nuvens e
chamando dolosamente: “gaúcho... gaúcho....”.
Walmir
Ayala. Moça Lua e outras lendas. Rio de Janeiro.
Interpretação:
1-
Gaúcho é o nome que dão aos naturais do:
(A)
Estado do Paraná.
(B)
Estado do Amapá.
(C)
Estado do Rio Grande do Sul.
(D)
Estado do Rio Grande do Norte.
2- Os
primeiros habitantes do Rio Grande do Sul foram:
(A) Os
gaúchos.
(B) Os
índios.
(C) Os
prisioneiros.
(D) Os
carcereiros.
3-
Conforme o texto, a palavra “gaúcho” tem o significado de:
(A)
Gente que canta triste.
(B)
Passando entre as nuvens.
(C)
Largas noites.
(D)
Jovem branco.
4- No
contexto da narrativa, a palavra sublinhada em “... atapetavam de flores o chão
batido da taba”, tem o significado de:
(A)
Cobriam.
(B)
Brilhavam.
(C)
Acompanhavam.
(D)
Amarravam.
5- Os
minuanos, ágeis como o vento, garboso e atentos na guerra e no amor demonstram
que eles são:
(A)
Agradáveis.
(B)
Tristes.
(C)
Corajosos.
(D)
Invasores.
6- No
texto o Estado do Rio Grande do Sul é conhecido como:
(A)
Uma linda festa
(B)
Uma linda festa, o clima agradável, o céu azul demais, os crepúsculos
espetaculares.
(C)
Largas noites ao pé do fogo com chimarrão e a viola.
(D)
Uma tribo minuano.
7- O
texto trata de uma lenda de como surgiu:
(A) A
primeira tribo.
(B) O
primeiro minuano.
(C) O
primeiro índio.
(D) O
primeiro gaúcho.
8- O
autor(a) do texto é:
(A) O
gaúcho.
(B) O
jovem branco.
(C)
Walmir Ayala.
(D)
Minuano.
9- A
finalidade do texto é:
(A)
Conscientizar a população.
(B)
Dar instruções sobre conduta.
(C)
Documentar um fato ocorrido.
(D)
Informar algo sobre a cultura gaúcha.
10- No
trecho “Ele foi perdoado”, a palavra sublinhada refere-se ao:
(A)
Carcereiro.
(B)
Índio.
(C)
Jovem branco.
(D)
Minuano.
11-
Quem conta a história é:
(A) O
narrador.
(B) O
gaúcho.
(C) O
chefe.
(D) O
índio
Produção de texto:
Faça a
reescrita da “A lenda do primeiro gaúcho, com suas palavras e ilustre”.
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